sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Cini “invade” cinemas de Curitiba




Os monstrinhos animados da campanha “Alucinados por Cini”, criada pela A.R. Comunicação para a paranaense Cini Bebidas, invadiram salas de cinema na última semana. Um filme criado para a telona foi exibido antes das sessões de High School Musical 3, no Shopping Curitiba. A ação ainda contou com um ator para entreter a platéia. A campanha vai até até 15 de dezembro.

Propaganda coloca os universitários na mira

Com grande influência no poder de compra em casa e entre amigos, acadêmicos ganham atenção especial do mercado publicitário

Cinthia Scheffer/Gazeta do Povo
Os cerca de 6 milhões de universitários brasileiros movimentam, por ano, algo em torno de R$ 52 bilhões. Eles são, na sua grande maioria, importantes formadores de opinião, ávidos por novidades e inovações, e têm um grande poder de influência na decisão de compra, em casa e entre os amigos. Algo como “a cerejinha do bolo” entre o público jovem – e, portanto, uma fatia dos consumidores que vem ganhando atenção, e comunicação, especial por parte das empresas.
“Estamos falando de um público que consome muito, que busca produtos de qualidade e quer ser bem tratado. É um público onde é grande a chance de fidelização da marca”, diz o diretor da agência paulistana Mundo Universitário, Caio Romano. A empresa, criada há cinco anos, tem foco justamente em ações para este público – e sua lista de clientes não pára de crescer.
“O público jovem está cada vez mais informado. Por isso, é muito importante conversar com ele para formar a imagem de uma marca”, avalia o gerente de comunicação em marketing da Ford Brasil, Maurício Greco. A montadora faz parte de uma lista de empresas que já têm uma fatia da sua verba de marketing destinada ao público universitário, e da qual também fazem parte uma série de outras marcas de automóveis, bancos, operadoras de telefonia e fabricantes de cerveja – só pra começar.
No lançamento do novo Ka, no primeiro semestre deste ano, a Ford colocou o automóvel em 51 universidades de todo país – entre elas a Universidade Tuiuti e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) – onde foram realizadas várias ações promocionais. “Além da forte identificação com a proposta de inovação do carro, nossas pesquisas mostram que pelo menos 50% dos universitários são diretamente responsáveis pela decisão de compra do seu carro. É mais um motivo para estarmos perto deles.”
Linguagem
Na opinião de Romano, as empresas brasileiras estão percebendo que é uma “bobagem” usar as mesmas campanhas para o público em geral e para os universitários. “Elas têm que se diferenciar de alguma forma. Falar a linguagem deste público.” E isso significa, na grande maioria das vezes, “invadir” os espaços deles.
No caso da ação criada pela agência E+ para a marca Martini, a idéia é juntar as duas coisas. A agência está criando um “ônibus-balada”, que será ocupado por um universitário e mais 40 amigos escolhidos por ele. “Queremos rejuvenecer a marca e ampliar o consumo nesta faixa mais jovem. Por isso, vamos trabalhar com o público universitário, formador de opinião”, explica o diretor da E+, Márcio Milani. A partir deste mês, o ônibus vai visitar sete cidades brasileiras, entre elas Curitiba, onde vai ficar por quinze dias.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Publicidade


Ricardo Gandolfi, da Terremoto Propaganda, e o anúncio premiado publicado na Gazeta do Povo: “mídia essencial”.

Credibilidade reafirma o potencial do jornal como meio

Mídia impressa aumenta faturamento publicitário e se mantém como prioridade entre os anunciantes. Espaço para criação e público-alvo são apontados como algumas de suas principais virtudes

Estelita Hass Carazzai
Embora tenha sofrido uma concorrência acirrada com outros meios – principalmente os eletrônicos – nos últimos anos, o jornal impresso ainda reina absoluto entre os publicitários. Mesmo com a chegada das novas tecnologias, o veículo mostra que, por um lado, mantém as características que sustentam sua credibilidade e sua importância; e, por outro, se reinventa para conquistar novos leitores e se fortalecer como espaço publicitário.
“Com certeza, é essencial anunciar na mídia impressa”, diz o diretor de criação da Terremoto Propaganda, Ricardo Gandolfi, para quem o espaço do jornal impresso continua inabalável. “O jornal já faz parte de nossa cultura. A gente tem esse hábito de todo dia, pela manhã, sentar e folheá-lo. É prazeroso.”
O gerente geral de publicidade da Gazeta do Povo, Ronie Pires, acredita que o jornal impresso recuperou sua força. “Muita gente questionou a importância do jornal, mas as previsões hoje são de crescimento. É um veículo forte e necessário, de muita credibilidade.” O também publicitário Beto Vivas, diretor da agência ByVivas, acredita que nenhum meio substitui outro – num raciocínio que retoma a suposta derrocada do livro pela imprensa, da rádio pela televisão e assim sucessivamente. “Cada meio tem sua utilidade. Para o publicitário, eles se complementam.”
Vivas destaca que o jornal impresso permite que o publicitário trabalhe com mais informação e textos mais longos e argumentativos – características que nem sempre podem ser trabalhadas, por exemplo, na televisão ou na internet. “O leitor de jornal está preparado para ouvir esse tipo de mensagem; ele é um leitor, de fato.” A factualidade do meio também pode ser aproveitada pelo profissional, que tem a possibilidade de interagir com o noticiário ou com os dias da semana. “Se você teve uma grande queda na bolsa ontem, você pode, no dia seguinte, falar que o investimento em imóvel é seguro. Ou pode também fazer um anúncio de um produto de emagrecimento toda segunda-feira, já que esse é, tradicionalmente, o dia de começar a dieta”, cria, de improviso, Beto Vivas.
Segundo os profissionais, a principal característica do jornal impresso que o torna diferente dos demais meios ainda é a credibilidade. Por conta disso, o meio é muito procurado para campanhas institucionais, que querem firmar determinada marca, como explica a professora de mídia da Universidade Positivo (UP), Maria Cora Chaves. “O jornal é uma mídia cara, mas quando eu quero que minha marca ganhe peso, ele é superimportante, porque chega na mão dos formadores de opinião. O seu público são as classes A e B, são as pessoas que têm poder aquisitivo.”
Pires, da Gazeta do Povo, destaca ainda que o jornal é “o primeiro impacto visual do dia”. “No decorrer do dia, o consumidor é impactado por milhares de imagens, mas o primeiro é o jornal, porque é a primeira coisa que ele lê.” Maria Cora lembra também a marcante regionalidade do jornal impresso e o fato de ele servir como documento de referência para o consumidor – pontos para o veículo.
Criatividade
Sisudo coisa nenhuma. Para os publicitários, o jornal impresso tem se tornado, cada vez mais, um meio que abre espaço para a criatividade. “É um meio super criativo. Tudo é negociável, dá para inventar muito; tem bastante espaço e sai todo dia”, comenta Maria Cora.
Prova disso foram os resultados do 32º Prêmio Colunistas Paraná, em que a grande maioria das medalhas aos melhores anúncios do ano no estado ficou na categoria “mídia impressa”. A maior parte dos anúncios inscritos, aliás, foi publicada em jornais: foram 179, contra 90 veiculados na televisão e 79 em revistas. “O que a gente percebeu foi que, do ano passado para cá, cresceu muito a qualidade criativa dos anúncios de jornal impresso. Houve uma sensível mudança; o pessoal está retornando para o jornal”, diz Silvia Dias, coordenadora do prêmio.
“O jornal é um espaço muito bacana; é divertido de comunicar”, comenta Gandolfi, da Terremoto Propaganda. Na última semana, o publicitário teve três anúncios contemplados com o 7º Prêmio de Criação Publicitária da Associação Nacional de Jornais (ANJ) – todos publicados na Gazeta do Povo. “Temos buscado formatos diferenciados, e o jornal dá liberdade de criação.”

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

ASSINANTE TEM VANTAGEM

Gazeta vai subsidiar dois equipamentos

Jornal aproveita a chegada da tecnologia de alta qualidade a Curitiba para conectar seus leitores. A campanha é dirigida a novos assinantes, mas alcança também os atuais

Leitores da Gazeta do Povo que moram em Curitiba e cidades da região podem estar entre os primeiros a sintonizar o sinal digital que estréia dia 22 na Rede Paranaense de Comunicação (RPC). Com uma vantagem: pagando preços abaixo do mercado pelos equipamentos.
Um modelo de conversor de sinal para televisor e um pendrive (acoplável a um computador com saída USB) estão sendo ofertados na nova campanha de assinaturas lançada neste mês.
O novo assinante fará a opção entre um e outro equipamento. O valor adicional será parcelado em dez vezes, junto com a assinatura pelo período. A campanha restringe um equipamento por CPF. “Trabalhamos de forma cooperada no grupo RPC para garantir a TV digital ao maior número possível de pessoas”, explica o gerente de marketing da RPC-Jornal, Axeu Aislan Beluca.
A Gazeta do Povo pertence ao grupo RPC. É o maior jornal em circulação no Paraná e o líder em número de assinantes.
Os equipamentos têm custo subsidiado devido a uma parceria do jornal com fabricantes: a Positivo Informática (conversor) e a Telesystem (PenTV). Quem já é assinante também poderá aproveitar a vantagem da campanha. Basta ajustar o contrato para adicionar as parcelas de um ou de outro equipamento.
Git esclarece
O Git é o principal aliado da RPC na divulgação da TV digital, tanto para apresentar as vantagens da imagem de alta qualidade, quanto para tirar todas as dúvidas que a novidade traz. O personagem também representa os 120 atendentes de telemarketing que foram preparados pela Gazeta do Povo para receber os pedidos e fazer esclarecimentos.
A RPC-TV alimenta o conteúdo do site www.rpc.com.br/tvdigital, em que o Git tira dúvidas técnicas. Beluca explica que todos os equipamentos oferecidos na campanha receberam aval da equipe de engenheiros da RPC-TV.
Investimento
Quem optar por receber a programação de TV no computador, pagará dez parcelas de R$ 50 pela assinatura anual do jornal, mais dez parcelas de R$ 5 pelo PenTV.
Se a preferência for pela caixinha conversora do sinal digital, acoplável à saída de um televisor (conhecida por set-top box), o assinante vai adicionar R$ 15 às dez parcelas mensais de R$ 50 da assinatura anual.
Ao final, o PenTV terá custado ao assinante R$ 50, quando o preço no mercado é próximo de R$ 300. Pelo conversor, o assinante pagará R$ 150. O mercado vende esse modelo a cerca de R$ 499.
A campanha é restrita aos assinantes novos e antigos da região metropolitana de Curitiba, que receberá o sinal digital nessa primeira etapa.

Pendrive - O melhor da imagem no computador

Um dispositivo USB, no formato de um simples pendrive, pode transformar qualquer computador em um receptor de TV digital. Para fazer do PC uma televisão, não importa se o equipamento é um laptop ou um computador de mesa.
A vantagem é que este aparelho pode ser carregado no bolso. Se a área estiver no raio de alcance de sinal da emissora de televisão, basta ao usuário conectar o pendrive ao
computador e assistir aos programas de TV com todas as vantagens oferecidas pelo novo sistema de transmissão.
Entre os recursos disponíveis está a possibilidade de pausa na programação ao vivo, replay de cenas e avanço de comerciais.
Também é possível programar e gravar os programas favoritos —que são transformados automaticamente em arquivos salvos no disco rígido do computador.

Recepção - Caixinha conversora

Para a qualidade do sinal digital chegar ao televisor é preciso acoplar a ele uma caixinha conversora, também chamada set-top box.
Sem ela, o sinal continua chegando com fantasmas e ruídos, no sistema analógico atual, mesmo nos aparelhos de TV modernos, com tela grande e plana, no formato retangular.
O conversor só é dispensável para os modelos mais caros de TV, normalmente os chamados “full HD”, fabricados já com o conversor embutido. Normalmente são os de tela de cristal líquido (LCD).
O set-top box se parece com um decodificador de canais da TV a cabo, mas não é a mesma coisa. Ele só funciona na recepção do sinal de alta definição das TVs abertas.
Aparelhos de tubo (que só têm entrada RCA, analógica) aceitam os modelos mais baratos de conversor do mercado. Uma tevê de plasma ou LCD, já com entradas HDMI, exige conversor mais sofisticado para projetar sinal de alta definição.

Fonte: Gazeta do povo 12/10/2008

HOJE COMEÇA A TV DIGITAL



A tevê digital estréia hoje em Curitiba

RPC-TV será a primeira emissora da Região Sul a transmitir no novo sistema. Ministro assina concessão do serviço nesta tarde



Mesmo que você não seja aficionado por novas tecnologias, já deve ter ouvido algo sobre a tevê digital, o sistema de transmissão que vem sendo implantado no Brasil desde o fim do ano passado e que gradativamente se tornará a “nova forma” da televisão nacional. Os moradores de Curitiba e região metropolitana serão apresentados à tevê digital aberta a partir das 19 horas de hoje. Será nesse momento que a RPC-TV vai iniciar oficialmente a transmissão no novo sistema.
O ministro das Comunicações, Hélio Costa, assina, às 17 horas, o termo de consignação para o canal RPC-TV Digital. Com isso, a emissora será a primeira do Sul do país a oferecer imagens em HDTV (High-definition television) através do canal 41 da freqüência UHF. O primeiro programa a que os curitibanos poderão assistir nesse formato será o capítulo de hoje da novela “A Favorita”, às 21 horas. No Brasil, o sinal está atualmente disponível também para a Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia
Revolução
A televisão, meio de comunicação que está completando quase 60 anos no Brasil, terá nas imagens em alta definição um avanço de maior impacto do que o ocorrido quando, nos anos 1970, os brasileiros substituíram os velhos aparelhos em preto-e-branco e passaram a conviver com as imagens coloridas. “Estamos falando de uma nova mídia. Não é mais só imagem e som. Teremos recursos que possibilitarão interatividade”, declara o engenheiro eletrônico José Raimundo Cristóvam Nascimento, presidente da Comissão de TV Digital da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telecom).
As principais vantagens da tevê digital são a alta definição, interatividade e mobilidade. Traduzindo: a alta definição significa maior resolução de imagem e mais canais de áudio; a interatividade significa que o espectador poderá interagir com a programação; e a mobilidade significa poder levar isso para qualquer lugar, com uma tevê portátil ou um telefone celular, por exemplo.
Nascimento diz que a interatividade e a mobilidade mudarão a forma de o usuário assistir televisão. “A interatividade deve se consolidar dentro de oito meses. A partir daí entraremos em um segundo estágio da tevê digital.”
Adaptação
Para usufruir da novidade, o telespectador precisa adaptar seu televisor acoplando um conversor (set-top box). Esse aparelho será o responsável por captar o sinal digital que chegará à antena e transformá-lo em um sinal que o aparelho de tevê analógico consegue processar. Mesmo os usuários de tevê a cabo precisarão do conversor para captar o sinal digital da tevê aberta.
Os conversores podem ser encontrados nas lojas das redes varejistas e nas especializadas em áudio e vídeo. O preço varia entre R$ 299 e R$ 999. Outro item indispensável para a recepção do sinal digital é a antena do tipo UHF. Ela é necessária porque os canais digitais de tevê aberta no Brasil funcionarão nesta freqüência.
A transmissão analógica não será abandonada imediatamente. O modelo de transição brasileiro exige que as emissoras usem um segundo canal para transmitir digitalmente. No caso da RPC-TV, este canal digital será o 41. Os canais da freqüência VHF – como o canal 12 – continuarão operando até que a grande maioria da população tenha aderido ao novo sistema. A previsão do ministério das Comunicações é que até 2016 toda a transmissão seja digital.

Veja mais informações sobre a tevê digital no site www.gazetadopovo.com.br/tecnologia

Daliane Nogueira, especial para a Gazeta do Povo

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CERVEJA DEFUMADA



Saúde!
CERVEJA DEFUMADA

Chega às gôndolas a cerveja defumada Rauchbier, da Bamberg. A bebida foi desenvolvida pelo mestre cervejeiro Stephan Grauvogl, beer sommelier de uma cervejaria da cidade de Bamberg, na Alemanha. Ele desembarcou no Brasil trazendo os ingredientes para produzir a receita para a cervejaria de Votorantim (SP). A Rauchbier, que em alemão quer dizer “cerveja de fumaça”, é uma bebida com notas potentes de fumo e defumado. O aroma é de café e chocolate. Tem leve amargor e combina com charutos. O teor alcoólico é de 4,8%.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

PARA ENTENDER MELHOR O CLIENTE



Planejamento

Pesquisas mudam para entender melhor o cliente

Cinthia Scheffer/Gazeta do Povo
z Uma boa pesquisa não se faz mais só com prancheta e caneta. Entender o comportamento do consumidor agora inclui bolo de fubá e gasosa e um bom “dedo de prosa” no sofá da sala de estar, ou enquanto ele prepara o almoço. A idéia é conhecer de perto o cliente e seus hábitos no lugar onde ele está mais à vontade: a sua própria casa. As chamadas pesquisas etnográficas – nome emprestado da antropologia – entraram de vez nos estudos das grandes empresas, seja na hora de lançar novos produtos, seja para facilitar a comunicação com seus clientes.
“Não queremos saber que marca de sabão em pó a dona-de-casa prefere, mas como ela usa o produto, ou se usa a tampa para medir a quantidade de amaciante”, diz a coordenadora de projetos da área qualitativa da Market Analysis, Aline Linhares. O interesse por este tipo de estudo, diz Aline, cresce de forma bastante expressiva porque as empresas buscam, cada vez mais, estar presentes na vida das pessoas – não basta mais apenas serem as mais lembradas. “Para isso, elas precisam saber como entrar na vida destas pessoas.”
Para fazer o estudo, os pesquisadores visitam, em geral, de oito a quinze famílias, em conversas que duram até oito horas. “É o tempo suficiente para a pessoa se ‘desarmar’ e entrarmos realmente na intimidade, na rotina dela.”
Para o diretor da unidade de negócios da Kraft Foods em Recife, Márcio Salvadego, este tipo de estudo é importante para complementar as informações vindas de outros tipos de pesquisa tradicionais. A própria estrutura da Kraft Foods no Nordeste nasceu da necessidade que a empresa tinha de conviver mais de perto com a realidade de uma região na qual via um crescente potencial de consumo. “A cabeça pensa onde os pés pisam. É diferente de fazer marketing sentado em um escritório em Curitiba”, diz o diretor. “Posso comprar muitas informações ou pesquisas, mas a imersão é diferente. Quando você conhece o dia-a-dia das pessoas, sabe a música que as pessoas ouvem e como elas se comportam em casa e nas lojas. A comunicação é mais eficiente.”
Além de usar as pesquisas etnográficas, Salvadego conta que dedica pelo menos 20% da sua semana longe do escritório – seja em visita a clientes, em supermercados ou mesmo em contato direto com os consumidores. “É parte do meu caminho criativo.”
Foi destas experiências que nasceram, por exemplo, os sabores regionais de Tang, como cajá e graviola. Foi assim também que surgiu a idéia de patrocinar a festa de São João – e, principalmente, como fazer isso. “Eu tive que estar presente no evento, circular, interagir com as pessoas, para entender como poderíamos participar da festa e deixá-la ainda mais bonita.”
Classe C
Não só a Kraft, mas muitas outras empresas do país têm utilizado os estudos “in loco” para entender, em especial, o comportamento dos consumidores da classe C – uma parcela da população cujo potencial de consumo vem crescendo de forma expressiva.
A gerente do projeto Nordeste da Sadia, Daniela Zucchini, diz que a etnografia, aliada a pesquisas tradicionais, tem sido uma ferramenta importante para a empresa entender melhor o consumidor de baixa renda. “A gente já tinha muita literatura, ouvia falar muito destes consumidores. Mas é muito distante. Mesmo os números eram muito frios”, diz. “Este tipo de pesquisa ajuda a entender os valores, os sonhos e as aspirações destas pessoas. Conhecer a rotina, os hábitos de compra e a relação delas com as marcas tem dado subsídio para as nossas ações.”
A Sadia fez uma série de pesquisas deste tipo ao longo de três meses. Profissionais das áreas de marketing, pesquisa de mercado e desenvolvimento de produtos visitaram uma série de famílias, sempre acompanhados de uma antropóloga. Os resultados, diz a gerente, começam a aparecer na forma de comunicação e logo devem chegar ao mercado em forma de produtos. “Elas estão servindo de base para os estudos”, diz Daniela, sem revelar mais detalhes do que deve ser lançado.

Gazeta do Povo 17/10/2008 - página 25